2 min de leitura
Deixar de escrever prompts e começar a escrever loops

Há uma mudança de paradigma a formar-se na forma como trabalhamos com inteligência artificial, e está a vir de quem constrói as próprias ferramentas, como o Boris Cherny, criador do Claude Code. Deixar de escrever prompts e começar a escrever loops. Estou agora a entrar nessa experimentação, e percebo que não é só uma pequena mudança técnica.
A leitura imediata é técnica: em vez de pedir uma tarefa de cada vez, defino um objectivo e um critério de "pronto" e deixo a máquina iterar sozinha até lá chegar. Corre, falha, corrige, repete, sem me perguntar nada pelo meio. Mas o que muda de verdade não é técnico, é o meu papel. Deixo de ser quem executa as tarefas para passar a ser quem desenha o sistema que as executa.
Do estagiário ao profissional
É a diferença entre dar ordens a um estagiário e confiar num profissional. Ao estagiário dizes cada passo, e revês cada passo. Ao profissional dás o resultado que queres e o critério do que está bem feito, e ele só volta quando está feito. Um consome-te o tempo todo. O outro devolve-to.
Onde está o valor agora
E é aqui que está o que quase ninguém vê ainda. O valor deixa de estar em saber dar a ordem certa. Passa a estar em saber definir o que é "suficientemente bom" e desenhar o ciclo que lá chega sozinho. Quem aprende a pensar assim deixa de competir com a máquina tarefa a tarefa. Começa a multiplicar-se através dela.

