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Desarmar a IA: a primeira encíclica do Papa Leão XIV

O Papa Leão XIV publicou ontem a primeira encíclica sobre inteligência artificial. O conceito central é "desarmar a IA", e vale a pena perceber o que isso significa.
Mais do que armas autónomas
A leitura imediata é militar: armas autónomas, decisões letais tomadas por algoritmos, sistemas que já estão "praticamente fora de qualquer controlo humano." Mas o documento vai mais longe. Desarmar a IA significa também retirar-lhe a lógica de weapon que atravessa tudo o resto — plataformas que monetizam a atenção, algoritmos que concentram poder em cada vez menos mãos, dados tratados como nova forma de colonialismo.
A única forma de a desarmar é democratizá-la. Torná-la numa ferramenta que pessoas em todo o mundo usam para melhorar as suas vidas, não num instrumento de dominação dos poucos sobre os muitos.
O risco de uma underclass digital
O caminho actual vai no sentido oposto. Quem não conseguir pagar os modelos vai ficando para trás (não por falta de esforço, mas por falta de acesso). É a criação de uma underclass digital, e é exactamente o tipo de concentração que este documento veio alertar.

