Quatro textos publicados em vinte meses. Lidos em sequência, não são quatro opiniões — são quatro capítulos do mesmo argumento.
i.
Machines of Loving Grace
Out 2024 · ~14k palavras
O sonho — o que acontece se tudo correr bem
Define "powerful AI": um país de génios num datacenter — milhões de instâncias mais capazes que um Nobel, a 10–100× a velocidade humana. Com ela, o "século XXI comprimido": 50–100 anos de progresso biomédico em 5–10. Cancro reduzido em 95%, esperança de vida a caminho dos 150 anos, doenças mentais curáveis.
- Aguenta
- "Retornos marginais à inteligência" — a AI acelera onde o gargalo é cognição; trava onde o gargalo é o mundo físico, os dados ou as instituições. Disciplina rara contra o hype.
- Aguenta
- Admissão contra-interesse: a AI não favorece estruturalmente a democracia — por defeito, serve melhor os autocratas.
- Cede
- O timeline ("pode chegar já em 2026") é afirmado, nunca argumentado. Os outcomes específicos são extrapolação por analogia.
ii.
The Urgency of Interpretability
Abr 2025
O método — abrir a caixa preta antes que seja tarde
Ninguém — incluindo quem os constrói — entende como os modelos funcionam por dentro. São "cultivados, não construídos": emergem do treino como uma planta cujas condições definimos mas cuja estrutura não desenhámos. A interpretabilidade mecanicista tenta construir um "MRI da AI".
- Aguenta
- Interpretabilidade como test set do alinhamento — um sinal independente que o treino não pode contaminar. Pensamento de ML maduro.
- Cede
- MRI fiável em "5–10 anos"; powerful AI em "1–2". A corrida está perdida à partida — e os modelos continuam a ser vendidos. Essa conclusão nunca é dita em voz alta.
We are thus in a race between interpretability and model intelligence.— e a capacidade vai à frente
iii.
The Adolescence of Technology
Jan 2026 · ensaio-irmão de MoLG
O medo — o mapa dos riscos e o plano de batalha
A humanidade entra na adolescência tecnológica: poder quase ilimitado, maturidade incerta. Cinco riscos: AI autónoma imprevisível (chantagem e engano já medidos em laboratório), bioterrorismo democratizado, autocracia perfeita — o que mais o assusta —, disrupção económica, e a erosão do sentido.
- Aguenta
- Evidência experimental citável, não teoria. E honestidade rara: inclui as próprias empresas de AI na lista de quem pode tomar o poder.
- Aguenta
- A previsão mais concreta do corpus: 50% dos empregos entry-level white-collar deslocados em 1–5 anos, com o PIB a crescer 10–20%.
- Cede
- Riscos com precisão de engenheiro, soluções com vagueza de op-ed. "Parar é impossível" é afirmado, não demonstrado — por quem acelera.
We are considerably closer to real danger in 2026 than we were in 2023.— contra a maré anti-regulação
iv.
Policy on the AI Exponential
Jun 2026 · um dia após o Fable 5
A lei — o estado perante o exponencial
O problema político do século: a AI melhora ao ritmo de meses, o Congresso legisla ao ritmo de anos. Pivô declarado: de transparência para regulação federal vinculativa estilo FAA — testes obrigatórios por terceiros, poder estatal de bloquear modelos, export controls de chips à China, preparação para desemprego possivelmente permanente.
- Aguenta
- A secção mais corajosa do corpus: liberdades civis — proibir armas autónomas em uso doméstico, dar ao cidadão paridade de AI face ao estado.
- Cede
- O regime proposto é exactamente o que a Anthropic já cumpre — e o que o open source não consegue cumprir. "Open weights" nunca aparece no texto. A omissão faz o trabalho que um argumento explícito tornaria controverso.